O Palácio da Ventura

Sonho que sou um cavaleiro andante. Por desertos, por sóis, por noite escura,
Cavalgo em busca de uma estância pura,
Onde habita meu bem, meu sol brilhante.

Corro terras… Mas eis que, de repente,
No topo d’uma encosta de verdura,
Assoma o palácio da Ventura…
Bato à porta com mão fremente…

— «Abram-se as portas de ouro e de marfim!»
Mas a porta silenciosa não se abriu…
E uma voz, cá de dentro, respondeu-me assim:

— «Ó cavaleiro doido, para onde vais?
O que buscas aqui? O que te deu,
Onde entraste, é o reino do que não é mais!»


Comparação

Texto baseado na edição clássica de Sonetos Completos (1886), com ortografia atualizada conforme as normas vigentes no Brasil.

Créditos

Antero de Quental. Texto em domínio público.

Fontes: Project Gutenberg e Biblioteca Nacional de Portugal.

Edição, cotejo e revisão: Rubens Baptista — Poíesis.

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