
As coisas são como são
A chuva cai, a água molha, a pedra pesa. As coisas são como são. Nós, não.

A chuva cai, a água molha, a pedra pesa. As coisas são como são. Nós, não.

Vozes que atravessam o tempo e encontram o mesmo homem.

Entre a falta de ar e a cidade acesa, um ruído se transforma em riso. A vida chamava havia tempo e, talvez, ainda pudesse ser escutada.

Muitos ainda erguem muros em troca de privilégios e descobrem, tarde demais, que a chave do poder jamais esteve destinada a todos.

Entre tristeza, alegria e utopia, o poema percorre as voltas da memória e aquilo que perdemos enquanto a vida passa despercebida.

Depois de transformar amor em vertigem e dor em poesia, resta o chão. E, nele, o ar, a luz, o café e a inesperada dignidade da vida simples.

Esquecer para permanecer: apagar o que dói sem permitir que, com a memória, desapareça também quem somos.

São Paulo cresce enquanto perde seus pardais, sua garoa e sua intimidade. Um poema sobre memória urbana, indiferença e o desaparecimento do lar.