De repente, só.
De repente, a solidão.
De repente, o aperto no peito,
as mãos molhadas,
o sangue em disparo,
e o ar que não chega.
De repente, a luz se afasta.
De repente, tudo pesa,
tudo falta,
tudo chama
para fora de si.
De repente,
uma fresta.
Um ruído na rua.
A cidade acesa.
O mundo, apesar de tudo,
ainda inteiro.
De repente: a beleza.
De repente: a mudança.
De repente: uma vida pela frente.
Mas não foi.
A vida chamava
havia tempo.
E ainda assim, alguém dirá:
“Foi de repente.”
Texto e arte: Rubens Baptista
Publicado na seção Poíesis — arte, filosofia e cotidiano.
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