Foi de repente.
Estava só.
Não,
eu e a solidão.
O peito aperta,
as mãos se molham,
o sangue dispara,
o ar vem curto,
não,
o ar não vem.
A luz se afasta,
tudo pesa,
tudo falta,
tudo chama
para fora.
Uma fresta.
Um ruído na rua.
A cidade acesa.
A altura.
E o mundo,
apesar de tudo,
ainda inteiro.
Aos poucos,
o ruído se fez
riso da rua.
A cidade respirava.
A vida, acesa,
chamava havia tempo.
Eu não escutava.
Agora,
quem sabe?
E, ainda assim,
alguém dirá:
“Foi de repente.”
Texto e arte: Rubens Baptista
Publicado na seção Poíesis — arte, filosofia e cotidiano.
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