As coisas são como são

As coisas são como são
e nós somos como somos.

Num mundo de causa e efeito,
erra quem espera pelo artificial,
faz do milagre uma aposta
ou se abandona ao sobrenatural.

O artificial polui por onde passa
e reduz a pó o coração enganado.

O milagre depende da graça.

E o sobrenatural já é passado:
nem se vê, e tudo está acabado.

Quem não quer viver em engano
faz de Deus o seu caminho e plano.

Aprende a gostar das coisas como são.
Espera surpresas boas
e vive sem ilusão.

Porque nós somos como somos,
e as coisas são como são.


Texto e arte: Rubens Baptista
Publicado na seção Poíesis — arte, filosofia e cotidiano.


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