Tolos

Buscam privilégios,
condenando à privação
os que nunca provaram
privilégio algum.

Erguem muros —
chamam de escudos.

Servem a quem os mantém no escuro,
surdos aos gritos
de quem já perde a voz.

Queriam privilégios.

Jazem agora despojados,
aos pés
de quem lhes prometeu a chave.

Mas ela permanece
nas mesmas mãos.

Nunca foi
para todos.

Tolos.


Texto e arte: Rubens Baptista
Publicado na seção Poíesis — arte, filosofia e cotidiano.


Leituras recomendadas

Para continuar a travessia entre poder, ilusão, perda, obediência e lucidez, leia também:

  • CÍRCULOS
    Um poema sobre tristeza, repetição e a alegria que passa despercebida quando já não se sabe reconhecer a própria perda.
  • APAGO
    Uma meditação poética sobre memória, esquecimento e sobrevivência interior diante daquilo que prende o espírito.
  • Em São Paulo
    A cidade que cresce enquanto perde sua alma doméstica: outro poema sobre desaparecimento, indiferença e desaprendizado humano.
  • Os que sentem demais
    Um contraponto íntimo a “Tolos”: onde um poema observa a submissão ao poder, o outro busca a reconciliação com a vida simples.
  • Por Quem os Sinos Dobram?
    John Donne lembra que nenhuma queda humana é isolada: quando alguém é privado de dignidade, todos perdem alguma coisa.
  • A Carga da Brigada Ligeira
    Um clássico sobre coragem, obediência e sacrifício — leitura poderosa para pensar os que avançam por ordens que não compreendem.

Veja também: Poíesis, Poíesis Clássicos e Revisum E-Books.

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