O eterno retorno: é preciso sempre recomeçar

Uma leitura bíblico-filosófica de Gide, Narciso e Nietzsche sobre dons, vaidade, graça e a perseverança de anunciar novamente a verdade.

Todas as coisas já foram ditas; mas, como ninguém escuta, é preciso sempre recomeçar.
André Gide, O Tratado de Narciso (1891)

1. Ninguém escuta: não ausência, mas recusa

Em “O Tratado de Narciso”, André Gide apresenta o mundo visível como uma trama de aparências transitórias que guardam vestígios de uma verdade mais profunda. Usa Narciso para nomear um perigo de que a própria Escritura trata há milênios: o símbolo perde sua vocação quando prefere a si mesmo à verdade que deveria manifestar.

“Todas as coisas já foram ditas; mas, como ninguém escuta, é preciso sempre recomeçar.” O famoso aforismo começa a se esclarecer à luz do contexto imediato. Antes de recontar o mito, Gide escreve: “Vous savez l’histoire” — vocês conhecem a história. Em seguida, afirma que é preciso dizê-la outra vez porque ninguém escuta.

O ouvinte não é alguém que jamais teve contato com a narrativa, mas alguém cuja familiaridade não se converteu em atenção. Conhecer a história, repeti-la de cor ou conhecer suas versões ainda não é acolher o que ela revela, não é compreendê-la.

A distinção entre ouvir e escutar, aqui, é moral. Sons chegam aos ouvidos; a escuta exige abertura, reconhecimento e resposta. Jesus formula a mesma tensão: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça” (Mt 13:9). No mesmo capítulo, alguns ouvem e não compreendem. A deficiência não está no aparelho auditivo, no repertório intelectual ou na falta de repetição, mas nas conveniências e, muitas vezes, num coração que se tornou insensível.

O Salmo 19 radicaliza essa percepção: os céus proclamam a glória de Deus sem discurso audível, e ainda assim sua voz alcança toda a terra (Sl 19:1-4). Paulo retoma essa revelação universal ao dizer que o que se pode conhecer de Deus foi manifesto por meio das coisas criadas. Longe de ser uma neutralidade inocente, os homens suprimem a verdade pela injustiça (Rm 1:18-21).

¹ Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos.
² Um dia discursa a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite.
³ Não há linguagem, nem há palavras, e deles não se ouve nenhum som;
⁴ no entanto, por toda a terra se faz ouvir a sua voz, e as suas palavras, até aos confins do mundo. Aí, pôs uma tenda para o sol,
Salmos 19:1-4 — ARA

¹⁸ A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça;
¹⁹ porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou.
²⁰ Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis;
²¹ porquanto, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se lhes o coração insensato.
Romanos 1:18-21 — ARA

Assim, dizer que “todos ouviram” significa que todos receberam o testemunho original de Deus. Não significa que todos tenham ouvido a narrativa bíblica, a Lei de Moisés ou o anúncio histórico da morte e ressurreição de Cristo. A primeira afirmação funda a responsabilidade humana; a segunda distinção funda a missão.

2. Imagem de Deus, consciência e sensus divinitatis

A Escritura descreve o homem como criatura de Deus. Formado do pó e vivificado pelo sopro divino, permanece dependente, finito e ontologicamente distinto do Criador. Ser feito à imagem e semelhança de Deus (Gn 1:26-27) significa receber dignidade, vocação representativa e capacidades morais e relacionais; o fôlego da vida (Gn 2:7) é vida recebida, não divindade imanente. O senso de eternidade (Ec 3:11), a consciência e o sensus divinitatis testemunham que o homem vive diante de Deus, não que contenha Deus em sua essência.

²⁶ Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra.
²⁷ Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.
Gênesis 1:26,27 — ARA

⁷ Então, formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente.
Gênesis 2:7 — ARA

¹¹ Tudo fez Deus formoso no seu devido tempo; também pôs a eternidade no coração do homem, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até ao fim.
Eclesiastes 3:11 — ARA

Romanos 2:14-16 acrescenta a consciência: mesmo os que não possuem a Lei escrita mostram sua obra gravada no coração, enquanto os pensamentos os acusam ou defendem. João chama Cristo de a verdadeira luz que ilumina toda a humanidade (Jo 1:9).

Essas passagens não conferem ao homem iluminação salvífica autônoma. Ensinam que ele traz a marca do Criador, recebe testemunho suficiente para ser responsável, mas, ainda assim, depende da revelação e da graça para conhecer a reconciliação em Cristo.

²⁷ O espírito do homem é a lâmpada do Senhor, a qual esquadrinha todo o mais íntimo do corpo.
Provérbios 20:27 — ARA

¹⁴ Quando, pois, os gentios, que não têm lei, procedem, por natureza, de conformidade com a lei, não tendo lei, servem eles de lei para si mesmos.
¹⁵ Estes mostram a norma da lei gravada no seu coração, testemunhando-lhes também a consciência e os seus pensamentos, mutuamente acusando-se ou defendendo-se,
¹⁶ no dia em que Deus, por meio de Cristo Jesus, julgar os segredos dos homens, de conformidade com o meu evangelho.
Romanos 2:14-16 — ARA

Imago Dei é dignidade e vocação da criatura; sensus divinitatis é conhecimento inevitável do Criador; consciência é testemunho moral.

Isso não é a doutrina do “bom selvagem”. O homem bíblico não nasce moralmente puro para ser corrompido apenas pela sociedade. Conserva a dignidade indelével da imagem de Deus e a percepção moral, mas encontra-se integralmente afetado pela queda. Morto em delitos e pecados, não pode converter em salvação o testemunho que recebeu; depende inteiramente da graça divina (Rm 3:10-18; Ef 2:1-3).

¹⁰ como está escrito: Não há justo, nem um sequer,
¹¹ não há quem entenda, não há quem busque a Deus;
¹² todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer.
¹³ A garganta deles é sepulcro aberto; com a língua, urdem engano, veneno de víbora está nos seus lábios,
¹⁴ a boca, eles a têm cheia de maldição e de amargura;
¹⁵ são os seus pés velozes para derramar sangue,
¹⁶ nos seus caminhos, há destruição e miséria;
¹⁷ desconheceram o caminho da paz.
¹⁸ Não há temor de Deus diante de seus olhos.
Romanos 3:10-18 — ARA

¹ Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados,
² nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência;
³ entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais.
Efésios 2:1-3 — ARA

A mesma pessoa que percebe a verdade pode suprimi-la; a mesma consciência que acusa pode ser racionalizada; a mesma imagem que aponta para Deus pode ser transformada em pretexto para a autodeificação. A consciência é testemunha e tribunal, não redentor. Sem o Redentor, que é o caminho, a verdade e a vida, muitos se perdem, são seduzidos pela mentira e mergulham na escuridão.

3. Narciso: quando a criatura adora o reflexo

Narciso não compreendia a luz nem o espelho d’água. Viu uma imagem fiel, mas a desligou de sua origem: tomou o reflexo como realidade suficiente e curvou-se diante dele. Seu erro não foi ter um rosto, nem se alegrar com ele; foi fazer do reflexo o próprio fim.

Essa dinâmica corresponde ao diagnóstico de Romanos 1: a criatura conhece algo do Criador, mas troca a glória do Deus incorruptível por imagens e serve a criatura em lugar daquele que a fez (Rm 1:21-25). Nesse momento, o símbolo prefere a si mesmo à verdade; a imagem reivindica o lugar do Original. A idolatria não se limita a estátuas ou talismãs: pode se fixar em pessoas e até em sentimentos.

²¹ porquanto, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se lhes o coração insensato.
²² Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos
²³ e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis.
²⁴ Por isso, Deus entregou tais homens à imundícia, pelas concupiscências de seu próprio coração, para desonrarem o seu corpo entre si;
²⁵ pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente. Amém!
Romanos 1:21-25 — ARA

Gênesis já contém essa tensão. Ser feito à imagem de Deus é vocação para representá-lo; desejar “ser como Deus” à parte de Deus é usurpação (Gn 3:5). Babel repete o gesto ao proclamar: “tornemos célebre o nosso nome” (Gn 11:4). O homem não precisa negar Deus com uma fórmula filosófica. Basta organizar seus dias como se o próprio desejo fosse lei, a própria percepção fosse verdade final e a própria obra fosse digna de adoração.

⁵ Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal.
Gênesis 3:5 — ARA

⁴ Disseram: Vinde, edifiquemos para nós uma cidade e uma torre cujo tope chegue até aos céus e tornemos célebre o nosso nome, para que não sejamos espalhados por toda a terra.
Gênesis 11:4 — ARA

A imagem de Deus, portanto, não elimina Narciso; torna seu drama ainda mais grave. Ele se apaixona por um reflexo que só existe porque uma luz anterior o torna visível. A vaidade é apropriação do recebido: beleza, inteligência, autoridade ou linguagem deixam de ser tratadas como dons e passam a ser apresentadas como origem de si mesmas. Quão perigoso é o pensamento, tão disseminado: “Se é meu, faço o que quiser.”

A apropriação vaidosa do dom possui um irmão menos vistoso: a omissão. Na parábola dos talentos, o servo não é condenado por tentar e fracassar, mas por esconder, com medo, aquilo que lhe havia sido confiado (Mt 25:14-30). A humildade cristã não consiste em simular incompetência. Consiste em receber o encargo, obedecer ao Senhor e administrar fielmente os recursos que ele entregou.

¹⁴ Pois será como um homem que, ausentando-se do país, chamou os seus servos e lhes confiou os seus bens.
¹⁵ A um deu cinco talentos, a outro, dois e a outro, um, a cada um segundo a sua própria capacidade; e, então, partiu.
¹⁶ O que recebera cinco talentos saiu imediatamente a negociar com eles e ganhou outros cinco.
¹⁷ Do mesmo modo, o que recebera dois ganhou outros dois.
¹⁸ Mas o que recebera um, saindo, abriu uma cova e escondeu o dinheiro do seu senhor.
¹⁹ Depois de muito tempo, voltou o senhor daqueles servos e ajustou contas com eles.
²⁰ Então, aproximando-se o que recebera cinco talentos, entregou outros cinco, dizendo: Senhor, confiaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco talentos que ganhei.
²¹ Disse-lhe o senhor: Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.
²² E, aproximando-se também o que recebera dois talentos, disse: Senhor, dois talentos me confiaste; aqui tens outros dois que ganhei.
²³ Disse-lhe o senhor: Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.
²⁴ Chegando, por fim, o que recebera um talento, disse: Senhor, sabendo que és homem severo, que ceifas onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste,
²⁵ receoso, escondi na terra o teu talento; aqui tens o que é teu.
²⁶ Respondeu-lhe, porém, o senhor: Servo mau e negligente, sabias que ceifo onde não semeei e ajunto onde não espalhei?
²⁷ Cumpria, portanto, que entregasses o meu dinheiro aos banqueiros, e eu, ao voltar, receberia com juros o que é meu.
²⁸ Tirai-lhe, pois, o talento e dai-o ao que tem dez.
²⁹ Porque a todo o que tem se lhe dará, e terá em abundância; mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado.
³⁰ E o servo inútil, lançai-o para fora, nas trevas. Ali haverá choro e ranger de dentes.
Mateus 25:14-30 — ARA

O medo e a soberba parecem opostos, mas podem nascer do mesmo engano: fazer do próprio eu a medida final. O medroso conclui que nada pode porque só enxerga seus limites; o soberbo conclui que tudo pode porque esquece a origem de sua força. Um enterra o dom; o outro o transforma em espelho. Paulo desarma a segunda ilusão com uma pergunta:

⁷ “Que tens tu que não tenhas recebido? […] por que te vanglorias, como se o não tiveras recebido?”
1 Coríntios 4:7 — ARA

A história do Titanic ainda ilustra os limites da autossuficiência humana, o navio que se acreditava ser inafundável. O cristão não age como fonte autônoma do bem, mas também não se paralisa à espera de uma intervenção que dispense sua obediência. Trabalha porque recebeu um encargo; depende porque a graça precede, sustenta e faz frutificar o trabalho.

A confiança cristã não repousa no próprio eu, mas no Deus que chama, sustenta e ressuscita. Essa confiança produz ação obediente, não paralisia ou vaidade:

⁹ “para que não confiássemos em nós, e sim no Deus que ressuscita os mortos”
2 Coríntios 1:9 — ARA

4. A Escritura repete o que o coração abafa

A reiteração bíblica não começa numa humanidade sem testemunho, mas numa humanidade que esquece, distorce e resiste. Ao que teme, recorda que o dom foi confiado; ao que prospera, que o dom foi recebido; ao cansado, manda despertar; ao endurecido, manda retornar.

Deus não repete porque a verdade seja deficiente ou difícil de compreender, mas por paciência com seu povo. A Palavra confirma o testemunho da criação, julga as distorções da consciência e anuncia aquilo que somente o Evangelho pode tornar conhecido: o Nome e a obra de Cristo.

MovimentoExemplo bíblicoO que a repetição realiza
TestemunharSl 19:1-4; Rm 1:19-20A criação fala sem palavras e torna o homem responsável diante do Criador.
InscreverRm 2:14-16A consciência confirma no interior a realidade da obrigação moral.
RecordarDt 6:4-9; Sl 78:1-8A aliança é narrada de novo para vencer o esquecimento e formar a resposta.
ReconduzirJz; Jr 44:4Profetas repetem o chamado porque o povo conhece a verdade e volta a recusá-la.
CumprirMt 5-7Jesus retoma a Lei, revela sua profundidade e alcança intenção, desejo e coração.
Despertar1Co 15:1-4; 2Pe 1:12-15Os apóstolos reavivam uma verdade já recebida para que se torne perseverança.

Quadro 1 – A repetição bíblica parte do testemunho recebido e confronta a recusa.

O Sermão da Montanha é decisivo para que Jesus reitere essa circunstância: “Ouvistes o que foi dito… Eu, porém, vos digo”. Ele retoma mandamentos conhecidos e os conduz ao interior — do homicídio à ira, do adultério ao olhar que transforma o outro em objeto, do juramento à inteireza da palavra.

A verdade antiga é desobstruída das acomodações que permitiam ouvi-la sem obedecer (Mt 5:17-48).

¹⁷ Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir.
¹⁸ Porque em verdade vos digo: até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra.
⁴³ Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo.
⁴⁴ Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem;
⁴⁵ para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos.
⁴⁸ Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste.
Mateus 5:17-18,43-45,48 — ARA

Também os apóstolos repetem a quem já sabe. Pedro promete recordar continuamente essas coisas, embora estejam confirmados na verdade (2Pe 1:12-15); Paulo torna a anunciar aos coríntios o Evangelho que já haviam recebido (1Co 15:1-4). A repetição, como a água que sulca e parte a rocha, continua escavando a conveniência, o medo e a vaidade. O conhecimento pode permanecer na memória enquanto maus desejos ainda dominam a vontade.

¹² Por esta razão, sempre estarei pronto para trazer-vos lembrados acerca destas coisas, embora estejais certos da verdade já presente convosco e nela confirmados.
¹³ Também considero justo, enquanto estou neste tabernáculo, despertar-vos com essas lembranças,
¹⁴ certo de que estou prestes a deixar o meu tabernáculo, como efetivamente nosso Senhor Jesus Cristo me revelou.
¹⁵ Mas, de minha parte, esforçar-me-ei, diligentemente, por fazer que, a todo tempo, mesmo depois da minha partida, conserveis lembrança de tudo.
2 Pedro 1:12-15 — ARA

¹ Irmãos, venho lembrar-vos o evangelho que vos anunciei, o qual recebestes e no qual ainda perseverais;
² por ele também sois salvos, se retiverdes a palavra tal como vo-la preguei, a menos que tenhais crido em vão.
³ Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras,
⁴ e que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras.
1 Coríntios 15:1-4 — ARA

De Gênesis a Apocalipse, a história bíblica avança da criação à consumação. Nesse percurso linear, padrões reaparecem de modo tipológico: criação e nova criação, árvore perdida e árvore restaurada, serpente e juízo, morte e ressurreição. A mensagem é reiterada, mas a história não retorna ao mesmo ponto; Deus cumpre suas promessas e conduz a criação ao fim que determinou.

5. Nietzsche: um intermeio crítico

Nietzsche é sempre revisitado pelas mais diversas correntes e também pode ser lido pelo cristão sob o princípio inaciano de buscar e encontrar Deus em todas as coisas. A leitura proposta é deliberadamente cristã: não nega o confronto de Nietzsche com o cristianismo; toma sua provocação como intermeio crítico.

No aforismo 341 de “A Gaia Ciência”, o eterno retorno surge como hipótese extrema: seria possível desejar novamente cada alegria, dor, pensamento e escolha, na mesma ordem e por toda a eternidade? Seria possível querer a vida sem uma redenção transcendente? Décadas depois, Camus responderia a uma pergunta semelhante ao imaginar Sísifo feliz.

Em “Assim falou Zaratustra”, o homem é algo a ser superado: uma ponte, não um fim. O Übermensch — “além-do-homem“, tradução preferível a “super-homem” — aparece como “sentido da terra” no horizonte aberto pela “morte de Deus”. Não é uma formulação cristã, longe disso, mas funciona bem como provocação: se você não agisse por ordem, vigilância ou medo de castigo, ainda escolheria o bem?

A crítica de Nietzsche atinge deformações reais da religião: a virtude praticada apenas por medo do castigo, a bondade convertida em cálculo de recompensa, a fé usada como desculpa para a omissão, a humildade dissimulada que encobre a vaidade e a falsa mansidão que esconde a covardia. O cristão pode ouvir essa crítica como ocasião de exame e perguntar a si mesmo: quão utilitária tem sido minha relação com Deus?

Seu diagnóstico não contém a cura cristã, mas pode aproximar-nos da ferida que ela trata. Minha leitura faz da vontade de potência um intermeio: o homem é chamado a desenvolver forças, assumir responsabilidade e explorar até o limite os dons recebidos. Ao chegar a esse limite, porém, descobre que o poder se aperfeiçoa na fraqueza e que tanto a conquista quanto sua permanência dependem da graça.

A filosofia nietzschiana pode ferir o cristão decadente: aquele que parece fiel sob os olhos de Deus, mas mudaria de conduta se acreditasse estar fora deles. A pergunta é incômoda e necessária: minha bondade nasce do amor ou apenas da vigilância?

É nesse sentido, e somente nesse sentido, que é possível ler além-do-homem à luz de Salmo 82:6 e João 10:34-36. Essas passagens não ensinam que a criatura se torne Deus, nem convertem Nietzsche em profeta cristão, mas recordam que a Palavra se dirige a seres humanos responsáveis. Seres que são Imago Dei dotados de sensus divinitatis e de consciência.

Minha hipótese é tomar o além-do-homem como figura de passagem: deixar para trás o homem movido apenas pelo medo, pelo interesse e pela tutela imediata, para alcançar a maturidade filial de quem age por amor. O filho não esquece o Pai nem se torna a própria origem; aprende a responder livre e responsavelmente ao amor recebido.

⁶ Eu disse: sois deuses, sois todos filhos do Altíssimo.
Salmos 82:6 — ARA

³⁴ Replicou-lhes Jesus: Não está escrito na vossa lei: Eu disse: sois deuses?
³⁵ Se ele chamou deuses àqueles a quem foi dirigida a palavra de Deus, e a Escritura não pode falhar,
³⁶ então, daquele a quem o Pai santificou e enviou ao mundo, dizeis: Tu blasfemas; porque declarei: sou Filho de Deus?
João 10:34-36 — ARA

Ainda assim, a humanidade permanece infinitamente aquém de Jesus, o Filho de Deus. O cristão não se torna outro Cristo. O Novo Testamento ensina que ele está em Cristo, que Cristo vive nele pela fé e que, pela graça, sua vida é progressivamente conformada à imagem do Filho. Essa união o aproxima de Deus sem apagar a diferença entre Criador e criatura. Por isso, quanto mais semelhante a Cristo ele se torna, mais trabalha, cria, ama e serve, e menos atribui a si mesmo a origem do bem que realiza.

²⁹ Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.
Romanos 8:29 — ARA

²⁰ logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim.
Gálatas 2:20 — ARA

¹⁷ E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.
2 Coríntios 5:17 — ARA

¹³ até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo,
Efésios 4:13 — ARA

Por isso, conhecer Nietzsche é importante: ele nos mostra quanto podemos nos distanciar de Deus, mesmo com os joelhos dobrados e nos intima a ir “além-do-homem“.

Jesus, aparece como estrela guia, relacionando-se com o Pai e com a humanidade não por cálculo, medo ou utilitarismo, mas por amor.

6. Evangelizar: do testemunho ao Nome anunciado

Se todos receberam testemunho, por que evangelizar? Porque revelação universal e proclamação do Evangelho não são idênticas. A criação manifesta poder e divindade; a consciência testemunha obrigação e culpa; nenhuma delas, porém, anuncia a reconciliação em Cristo. Por isso Paulo pergunta: “Como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue?” A fé vem pelo ouvir a palavra de Cristo (Rm 10:14-17).

¹⁴ Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue?
¹⁵ E como pregarão, se não forem enviados? Como está escrito: Quão formosos são os pés dos que anunciam coisas boas!
¹⁶ Mas nem todos obedeceram ao evangelho; pois Isaías diz: Senhor, quem acreditou na nossa pregação?
¹⁷ E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo.
Romanos 10:14-17 — ARA

Distinção central: Todos receberam o testemunho original; nem todos receberam a proclamação do Evangelho. A consciência torna a missão inteligível, mas não a torna dispensável. Ela desperta a pergunta; o Evangelho anuncia o Nome e a obra daquele que responde.

Paulo em Atenas oferece um modelo (At 17:22-31). Ele começa no altar dedicado ao deus desconhecido e até cita poetas gregos. Reconhece que seus ouvintes tateiam em busca de Deus e que Deus não está longe. Mas não canoniza sua religião nem os trata como inocentes. Corrige a idolatria, identifica o Criador, anuncia o homem ressuscitado e chama todos ao arrependimento. A evangelização parte do vestígio conhecido, desfaz sua deformação e conduz ao anúncio explícito.

²² Então, Paulo, levantando-se no meio do Areópago, disse: Senhores atenienses! Em tudo vos vejo acentuadamente religiosos;
²³ porque, passando e observando os objetos de vosso culto, encontrei também um altar no qual está inscrito: Ao Deus Desconhecido. Pois esse que adorais sem conhecer é precisamente aquele que eu vos anuncio.
²⁴ O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas.
²⁵ Nem é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse; pois ele mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo mais;
²⁶ de um só fez toda a raça humana para habitar sobre toda a face da terra, havendo fixado os tempos previamente estabelecidos e os limites da sua habitação;
²⁷ para buscarem a Deus se, porventura, tateando, o possam achar, bem que não está longe de cada um de nós;
²⁸ pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos, como alguns dos vossos poetas têm dito: Porque dele também somos geração.
²⁹ Sendo, pois, geração de Deus, não devemos pensar que a divindade é semelhante ao ouro, à prata ou à pedra, trabalhados pela arte e imaginação do homem.
³⁰ Ora, não levou Deus em conta os tempos da ignorância; agora, porém, notifica aos homens que todos, em toda parte, se arrependam;
³¹ porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio de um varão que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando-o dentre os mortos.
Atos 17:22-31 — ARA

Cada geração possui sua “biblioteca particular”. Como fez Paulo, conhecê-la é decisivo para a evangelização: permite falar com clareza dentro do horizonte do tempo, sem deixar de submetê-lo à correção da Palavra de Deus.

É nesse ponto que a parábola do semeador se une às imagens do solo e da chuva. Em Mateus 13, a mesma semente encontra estrada endurecida, terreno raso, espinhos e boa terra. A descrição do solo é diagnóstico do modo de ouvir, não licença para o semeador decidir que nenhuma mudança será possível.

Oseias ordena: “preparem o campo de cultivo”, até que o Senhor venha e faça chover justiça (Os 10:12). Isaías compara a Palavra à chuva que fecunda a terra, fornece semente ao semeador e não volta vazia (Is 55:10-11). Tiago manda o lavrador esperar com paciência a chuva temporã e a serôdia (Tg 5:7).

¹² Então, eu disse: semeai para vós outros em justiça, ceifai segundo a misericórdia; arai o campo de pousio; porque é tempo de buscar ao Senhor, até que ele venha, e chova a justiça sobre vós.
Oséias 10:12 — ARA

¹⁰ Porque, assim como descem a chuva e a neve dos céus e para lá não tornam, sem que primeiro reguem a terra, e a fecundem, e a façam brotar, para dar semente ao semeador e pão ao que come,
¹¹ assim será a palavra que sair da minha boca: não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a designei.
Isaías 55:10,11 — ARA

¹ Naquele mesmo dia, saindo Jesus de casa, assentou-se à beira-mar;
² e grandes multidões se reuniram perto dele, de modo que entrou num barco e se assentou; e toda a multidão estava em pé na praia.
³ E de muitas coisas lhes falou por parábolas e dizia: Eis que o semeador saiu a semear.
⁴ E, ao semear, uma parte caiu à beira do caminho, e, vindo as aves, a comeram.
⁵ Outra parte caiu em solo rochoso, onde a terra era pouca, e logo nasceu, visto não ser profunda a terra.
⁶ Saindo, porém, o sol, a queimou; e, porque não tinha raiz, secou-se.
⁷ Outra caiu entre os espinhos, e os espinhos cresceram e a sufocaram.
⁸ Outra, enfim, caiu em boa terra e deu fruto: a cem, a sessenta e a trinta por um.
⁹ Quem tem ouvidos [para ouvir], ouça.
Mateus 13:1-9 — ARA

⁷ Sede, pois, irmãos, pacientes, até à vinda do Senhor. Eis que o lavrador aguarda com paciência o precioso fruto da terra, até receber as primeiras e as últimas chuvas.
Tiago 5:7 — ARA

O solo árido de ontem pode ter recebido uma chuva que o semeador não viu. A metáfora não descreve autoemenda moral: a chuva invisível é, primariamente, a operação soberana e a graça eficaz do Espírito, que dá coração de carne, escreve a lei no íntimo e conduz o pecador a Cristo (Ez 36:26; Jr 31:33; Jo 3:8; 6:44).

Perdas, misericórdias, perguntas e lembranças podem ser empregadas pela providência como meios secundários; a causa eficaz da mudança é Deus. Repetir o anúncio não é supor que nada foi dito, mas confiar que Deus continua trabalhando a terra entre uma semeadura e outra.

²⁶ Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne.
Ezequiel 36:26 — ARA

³³ Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Senhor: Na mente, lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhes inscreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo.
Jeremias 31:33 — ARA

⁸ O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito.
João 3:8 — ARA

⁴⁴ Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia.
João 6:44 — ARA

Não há aqui um “eterno retorno pastoral”. Há perseverança da proclamação dentro de uma história que Deus conduz ao cumprimento. A mensagem é anunciada novamente, mas a história não gira em círculos: avança para o fim que Deus determinou.

Assim, a Palavra é anunciada novamente porque Deus pode ter trabalhado o solo e porque o próprio semeador precisa ser julgado por ela: quem ontem se omitia pode hoje obedecer; quem ontem servia com fidelidade pode hoje estar enamorado do próprio resultado. A mesma verdade desperta um e descentra o outro, sem fazer a história girar em círculos.

É preciso sempre recomeçar: ao tímido, para que desenterre o dom; ao vitorioso, para que não adore o próprio reflexo.

7. Quando o semeador se torna Narciso

A advertência de Gide retorna sobre o próprio evangelista, artista, professor ou pastor. A ideia não é mutilar os dons para evitar a soberba: mediocridade voluntária não é humildade. Quem anuncia a verdade deve aperfeiçoar símbolos, conceitos, gestos, narrativas e palavras. Mas quanto mais bela a forma, maior a tentação de tratá-la como fim; quanto mais frutífero o ministério, maior o risco de o semeador reivindicar o crescimento. O talento deve ser multiplicado sem que o servo se imagine senhor.

A Escritura oferece retratos severos dessa deformação. Saul ergue um monumento para si após uma obediência incompleta (1Sm 15:12). Nabucodonosor contempla Babilônia como obra de seu poder e glória (Dn 4:30). Herodes recebe a aclamação de quem lhe atribui voz divina (At 12:21-23). Diótrefes gosta de exercer a primazia na igreja e rejeita quem ameaça sua posição (3Jo 9-10). Em todos esses casos, um dom ou função legítima é sequestrado pelo desejo de centralidade.

¹² Madrugou Samuel para encontrar a Saul pela manhã; e anunciou-se àquele: Já chegou Saul ao Carmelo, e eis que levantou para si um monumento; e, dando volta, passou e desceu a Gilgal.
1 Samuel 15:12 — ARA

³⁰ falou o rei e disse: Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei para a casa real, com o meu grandioso poder e para glória da minha majestade?
Daniel 4:30 — ARA

²¹ Em dia designado, Herodes, vestido de trajo real, assentado no trono, dirigiu-lhes a palavra;
²² e o povo clamava: É voz de um deus, e não de homem!
²³ No mesmo instante, um anjo do Senhor o feriu, por ele não haver dado glória a Deus; e, comido de vermes, expirou.
Atos 12:21-23 — ARA

⁹ Tenho escrito à igreja; mas Diótrefes, que procura ter entre eles o primado, não nos recebe.
¹⁰ Por isso, se eu for, trarei à memória as obras que ele faz, proferindo contra nós palavras maliciosas; e, não contente com isto, não recebe os irmãos, e impede os que querem recebê-los, e os lança fora da igreja.
3 João 1:9,10 — ARA

O semeador se inclina sobre o espelho de Narciso quando usa o sermão para demonstrar erudição, e não para esclarecer a verdade; transforma o testemunho em monumento à própria excepcionalidade; confunde fruto espiritual com confirmação de sua superioridade; mede a fidelidade pelo aplauso, pela audiência ou pela dependência que produz ou fala da luz de modo que o ouvinte termine olhando apenas para quem segura a lâmpada.

O antídoto não é a falsa modéstia, que também pode ser uma forma refinada de vaidade. É a subordinação do mensageiro à mensagem. João Batista oferece a medida: “É necessário que ele cresça e que eu diminua” (Jo 3:30). Paulo formula o princípio: “não pregamos a nós mesmos, mas a Jesus Cristo como Senhor“; somos vasos de barro para que a excelência do poder seja reconhecida como proveniente de Deus (2Co 4:5-7). Paulo planta, Apolo rega, mas Deus dá o crescimento (1Co 3:6-7).

³⁰ Convém que ele cresça e que eu diminua.
João 3:30 — ARA

⁵ Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor e a nós mesmos como vossos servos, por amor de Jesus.
⁶ Porque Deus, que disse: Das trevas resplandecerá a luz, ele mesmo resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo.
⁷ Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós.
2 Coríntios 4:5-7 — ARA

⁶ Eu plantei, Apolo regou; mas o crescimento veio de Deus.
⁷ De modo que nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento.
1 Coríntios 3:6,7 — ARA

O homem fiel não enterra o talento nem se ajoelha diante dele. A boa obra pode conservar a personalidade de quem a realiza, mas deve permanecer transparente à verdade e à graça que a tornaram possível. A essa altura, tudo talvez pareça repetitivo. É justamente esse o ponto:

Todas as coisas já foram ditas; mas, como ninguém escuta, é preciso sempre recomeçar.

Referências essenciais

1. BÍBLIA SAGRADA. Referências principais: Gn 1-3; 11:1-9; Sl 19; Pv 20:27; Ec 3:11; Os 10:12; Is 55:10-11; Mt 5-7; 13; Jo 1:9; At 17:22-31; Rm 1:18-25; 2:14-16; 10:14-17; 1Co 3:6-7; 15:1-4; 2Co 4:5-7; 2Pe 1:12-15; Tg 5:7; Rm 8:29; 2Co 5:17; Gl 2:20; Ef 2:1-3; 4:13; Fp 2:12-13; Mt 25:14-30; 2Co 1:9; 1Co 4:7; 15:10; Jo 3:8; 6:44; 15:5. Acesso ao texto

2. GIDE, André. Le Traité du Narcisse: théorie du symbole. Publicado originalmente em 1891. Acesso ao texto

3. PLATÃO. Teoria da reminiscência e alegoria da caverna. Visão geral na Stanford Encyclopedia of Philosophy. Acesso ao texto

4. AGOSTINHO. A interioridade como caminho para a verdade que transcende a alma mutável. Acesso ao texto

5. CALVINO, João. Institutas da Religião Cristã, livro I, capítulo 3: o conhecimento de Deus naturalmente implantado na mente humana. Acesso ao texto

6. PASCAL, Blaise. Pensamentos: o eu torna-se injusto quando pretende fazer-se centro de tudo. Acesso ao texto

7. LEWIS, C. S. The Abolition of Man: defesa de uma lei moral natural que precede a preferência individual. Acesso ao texto

8. GADAMER, Hans-Georg. Verdade e Método: horizonte histórico, tradição e compreensão. Acesso ao texto

9. NIETZSCHE, Friedrich. A Gaia Ciência, § 341; Assim falou Zaratustra, Prólogo: eterno retorno, além-do-homem e antagonismo em relação à moral cristã. Texto de Zaratustra | Estudo crítico

10. CAMUS, Albert. O mito de Sísifo: a afirmação da vida diante do absurdo. Acesso ao texto


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